não foi de paris que eu me despedi, foi da minha paris. a paris da cité université, da place de italie, das caminhadas que terminam na notre dame, dos beijos nos pés dos santos. a paris do atac, promod e sephora. dos baguetes, dos potinhos caramel e muitos queijos. a paris vista da perspectiva deles, uma paris local, que eu aprendi a amar. uma paris que ao longo desses três anos virou meu refúgio, com direito a portal mágico que entra em waterloo/st pancreas e sai na gare du nord. onde eu faço pose e convenço a todos que eu falo fluentemente sem dizer uma só palavra. ou assim eu gosto de pensar. voltei em denial, como é de meu estilo. mas terminei desatando no choro por outros motivos bestas. porque a partir de hoje eu não sei como está o céu em paris, ou se está mais quente ou frio do que aqui. e porque eu me senti só, mesmo sem fazer nenhum sentido, mesmo sabendo que eles estarão sempre do outro lado do computador. não era para fazer diferença, eu repito para mim mesma. mas faz. porque a minha paris passou a ser um lugar da minha imaginação. porque a place de italie não será mais a mesma. porque o portal mágico se fechou. e eu, mesmo sem querer, disse au revoir.