. semana .
sentada num café envidraçado, como outros tantos que frequentava, olhava para fora, enquanto que o passar das pessoas levava os pensamentos para longe. para onde ia, não sabia se haveriam lugares assim, onde qualquer bloco de anotações ou um bom livro eram considerados companhia suficiente. e esse era um fato confortante. a música ambiente isolava o barulho da vida lá fora, criando um mundo a parte aqui dentro. viera pelo tuna melt, mas encontrara um lugar para refletir. tinha coisas a aceitar e ainda não sabia bem como. talvez fosse assim mesmo, do lado de dentro de uma parede de vidro, em frente a um cappuccino, imersa nessa cidade grande. ali se sentia parte, se sentia viva. a cidade tinha esse efeito - sempre. hummm...que viessem outras cidades então.
cada vez que esquecia, significava que iria lembrar-se outra vez. e cada vez que lembrava, por algum motivo, vinha-lhe tudo de novo: a surpresa, a perplexidade, a tristeza. cada vez que, por engano, ficava alegre, vinha-lhe aquela sensação. to move on is an infidelity. não às pessoas, mas à si própria, aos sonhos, ao passado. e o futuro...ah, o futuro é sempre uma incógnita. e incógnitas não confortam ninguém. o presente sim, era real. concreto. coisas. pessoas. fatos. lugares. sim, gostava do presente. por mais seco e chato que fosse. o presente era a recompensa. era o fim. e havia uma satisfação nisso. se não fossem as lembranças após cada esquecimento a tormentar...
number one
Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos.
sexta feira. 5 pm. 20 graus numa londres ensolarada. a cidade borbulhava. start - log off. por hoje isso é tudo. saiu caminhando, animada. pegou o primeiro ônibus e desceu em plena oxford street. o povo na rua. e ela era parte do povo. entrou em lojas. comprou o top dos sonhos. diferente. muito sex and the city. andou de cabeça erguida e sorriso no rosto, mesmo sem saber porque. sentia-se viva. e como a cidade, borbulhava por dentro. ah, se pudesse botar um salto, um bom batom e saiiir! mas não tinha como. caminhava e pensava na hoegaarden. ah! ofereceria seu reino por uma hoegaarden. e por que não? chegou em casa, largou a mochila e foi rumo ao pub. sentou-se no bar, pediu uma half pint e amendoins. o sol ainda batia no rosto. nunca uma cerveja fora tão boa. e agora que descobrira que podia estar ali, viria outras vezes. muitas outras vezes. era londres. 20 graus, sol e estava viva. muito viva!
quando entrou no metrô uma moça a encarou com uma expressão estranha. braba? to stare is rude, don't you know? - pensou. mas não disse nada e sentou-se ao seu lado. a moça baixou a cabeça e voltou a concentrar-se num livro. de canto de olho, espiou o livro. no alto da página dizia: Empty Logic. Estava tudo esclarecido.
em outro momento provavelmente teria ido ao cinema e achado o filme bom. e só. mas naquele momento, a idéia de entrar numa clínica e simplesmente apagar fatos da memória parecia um tanto tentadora. a idéia de fazer uma mapa da memória e percorrê-lo ponto a ponto, apagando cada momento pareceu-lhe absurda a princípio. mas refletindo um pouco mais, parecia que o 'esquecer', pelo menos se tratando de esquecer pessoas/amores, na vida real, era um processo muito similar: cada momento era repassado, exatamente como no filme, mas ao invés do fato ser simplesmente deletado, um novo significado era atribuído.
my friends are people the people with whom I have continuing conversation. there may be long gaps between exchanges, but the conversation is never interrupted or concluded.
"arcar com a decepção das más escolhas é o preço que se paga por escolher". e as escolhas são baseadas em crenças. crenças baseadas em experiências e aí vem outro dos meus ciclos viciosos. "seguimos aprendendo...e escolhendo". mas somente porque quanto a isso não há escolha. se hovesse, talvez não se escolhesse mais nada. talvez fosse preciso repensar as escolhas. talvez fosse preciso parar de pensar. não é possível resolver tudo antes de dormir. as decepções não passam num piscar de olhos. e as crenças não serão mais as mesmas.
das coisas que a gente sente
Seguindo a ju que copiou de um tal de baby jane que tinha uma gaiola de goiabas (ou algo parecido):
chovia torrencialmente quando acordou. era feriado e tinha trabalho para fazer. estranho acordar tarde e o quarto estar tão escuro. uma sensação de algo errado. os olhos não queriam desgrudar. o corpo não queria se mexer. mas era preciso levantar mesmo que não se soubesse ao certo porque. ligou a tv para quebrar o barulho da chuva. tinha planos de sair. precisava sair em algum momento. era impossível ficar ali, sozinha, o dia inteiro. mas tinha trabalho. ali, no computador. talvez a chuva parasse. talvez.
primeiro achei que era isso. e tinha sido cedo. coisa do destino. mas o destino não era bem assim. haviam escolhas. escolhi. errado. não era nada disso. pensei que não podia confiar no mundo. estava errada. achei a única exceção. fácil. bom. feliz. desconfiei que era coisa do destino. não era. pensei que não podia confiar em deus. mas não havia outro jeito. arrisquei. achei que o que era difícil devia ser real. não era. hoje não sei mais o que penso.