. sobre um mau-humor autêntico. (ou um autêntico mau-humor?) .
ando lendo o livro do Arnaldo Jabor, teoricamente sobre amor e sexo. eu diria que é um livro mau-humorado. no bom sentido. um livro sobre saudades. saudades da beleza, das gentilezas e das autenticidades. é um livro sobre o desespero de ver o Brasil desse jeito. vi, em uma das minhas muitas noites insones, uma entrevista dele no altas horas. programa que eu nem sabia existir. eu, que nunca tinha pensado sobre esse cara, e tudo que me lembrava dele era de uns comentários teatráis no fantástico, me surpreendi. era a primeira pessoa inteligente que eu ouvia na tv desde que havia chegado. ele comentou sobre dois livros que estava lançando. e quando fui a porto aproveitei e comprei o único dos dois que eu achei. ele conserva uma visão de fora das coisas: uma parcialidade de um nativo que é rara. uma visão que me dá esperança. um desespero do qual eu compartilho. de fato me encontro em muitos dos comentários no livro. e me alivia saber que as minhas reações mau-humoradas frente ao meu país não são só minhas. me sinto um pouco menos como 'uma louca que chegou de fora que acha as coisas horríveis e não consegue nem querer se adaptar'. ou pelo menos me sinto menos sozinha nessa loucura. e passo a acreditar que as pessoas conseguem sobreviver aqui mesmo tendo essa visão. me assusta muito a falta de autencidade desse país. dos comportamentos padrão que seguem uma das duas linhas, ou os normais ou os radicais. sem ter jamais que pensar quem realmente são. teoricamente uns são a favor da sociedade, outros contra. pra mim parecem duas faces da mesma moeda. da tal globalização (ou americanização? - e não, isso não significa tomar coca-cola). as pessoas são tão achadas que nunca me pareceram tão perdidas. e eu me sinto absolutamente perdida nesse mundo onde nem mesmo cortar o cabelo como se quer é possível. e quando a gente não gosta ainda tem que ouvir que 'ninguém vai notar' ou que 'está bonito'. e como explicar que a única pessoa com quem eu me importo que note ou ache bonito já notou, já não achou, se olhando na frente do espelho? outra crise de quem não gostou do cabelo, vocês devem estar pensando. que besteira. mas é das besteiras que arnaldo jabor fala. da falta de autenticidade nas pequenas coisas. nos detalhes que te colocam exatamente onde não queres estar, na falta de autencidade, no modelo padronizado, no caminho certo dos que nunca se conhecerão. o cabelo não era para ser bonito, era para ser eu. e virou sendo o cabelo-cogumelo de uma das amigas da minha mãe. e agora me pareço como alguém que não quero ser. bom, pelo menos ainda não virei loira de mechas com o cabelo semi-repicado e decotão! nem tudo está perdido! ainda. bom, fica aqui meu post-protesto e uma recomendação para que vocês olhem o livro do jabor...
