
goodbye sjc
acorda. não. acorda. não. não quero essa vida. levanta. café. acorda. respira fundo. falta pouco. pouco para quê? para mudar. mudar, sim. para o bem? tem que acreditar. acredita. se arruma. cabelo vassoura. suspiro. melhor vassoura do que se entregar à pressão. por quanto tempo eu aguento? mais um pouco. mais um pouco. pega as chaves. olha todas as janelas. sempre pode chover. e se chover inunda tudo. basta esquecer uma fresta. neuroses. neuroses de tempos ruins. pega o carro. na saída tem obra. eu não posso com obra. minha paciência com obra começa no menos um. minha paciência com tudo anda lá pelo menos trinta. tá sol. vamos lá. passa pela dutra. feio. cidade seca. parece que o céu não chega aqui. mesmo o bonito é feio. passa pelos portões. crachá. 2274. vai para a sala 74. todos os números tem 74. no início achei que isso era um bom sinal. não era. mania de cuidar números! sento no computador. quantas horas tenho pela frente. não muitas, só até não aguentar mais. respira fundo. só mais um pouco. começa logo, daí distrai. põe os fones e esquece. o tempo passa. esse papo de floresta. eu sou urbana demais para isso. me tirem daqui. não pode ser. outra coisa. abre o browser e visita todos os sites de novo. tem que ter algo novo. tem que ter algo para mim. más notícias atrás de más notícias. isso é um recado? não sei. insisto. tem que ter alguma coisa que eu possa fazer. procura mais. com quem posso falar. emails. expectativas. frustrações. todo o dia tem sido assim. todo o dia eu não desisto. todo dia eu quero mais. todo dia quero melhor. todo dia vou querer. amanhã tudo de novo. e depois também. já sei. respira fundo. só mais um pouco.
algum momento dos últimos três dias desencadeou o clique. e na hora eu nem percebi. quando vi, estava claro, decisões tomadas. era preciso colocar limite. e partir para a luta. ações meio desesperadas às vezes tem efeito. tinha feito o que podia fazer. agora era esperar. as grandes mudanças vem de dentro. e essa já tinha começado.
eu não costumo acreditar que a vida tenha muita lógica ou que exista uma razão por trás dos acontecimentos. ainda assim, hoje foi um desses dias em que, na medida em que as coisas foram acontecendo, eu passei a me perguntar se o mundo estava querendo me mandar algum recado, como se a lógica entre os fatos pudesse me levar a algum tipo de entendimento e, entendendo, eu pudesse agir da maneira certa. me sento num ´rei do mate´em um shopping meio xinfrin e peço um café com leite grande, até agora o substituto mais próximo do tão saudoso cappuccino. em meios aos ecos atordoantes do lugar, os mesmos questionamentos me perseguem: o que mesmo eu estou fazendo aqui? talvez haja uma resposta, talvez o mundo esteja realmente querendo me dizer alguma coisa. talvez não. who knows?
...é o nome de um pub que fica pertinho da universidade. era onde o pessoal do escritório ia sempre. um pub pequeninho, típico inglês, bem sujinho, mas tinha hoegaarden, então eu gostava. hoje deu saudades. saudades do the hope. eu achei sugestivo sentir saudades da esperança...
sexta-feira de uma semana intensa. e o cansaço bateu. mas aquele cansaço feliz, sabe? aconteceu coisa ruim e boa, mas aconteceu. foi uma semana cheia. amigos ligaram. documentos foram refeitos, viagens marcadas, internets instaladas, tvs a cabo funcionando. os blogs estão vivos....! eu nem acredito. olhei para os últimos tempos e me dei conta do quanto não falei com ninguém, não dei um telefonema, postei pouco. na real as ultimas semanas foram de sobrevivência pura. mas agora, agora o destino interferiu. eu nem esperava, mas foi do bem. interferência do bem. e haverão outras. mais do bem ainda. tenho certeza. por isso hoje de manhã me olhei no espelho e pensei: get ready! get ready for what is to come.
então me roubaram a carteira. sim, de novo. sim, com tudo dentro. só não tinha nada sentimental, porque já não carrego sentimentos na carteira. not anymore. roubaram a carteira mas não roubaram a esperança. transformei mentalmente o dinheiro em uma doação ao mundo. perdoei o ladrão. e fiquei de cara com a desorganização brasileira para refazer os documentos. amo demais o brasil para aceitar isso. por isso o amo melhor a distância, concluo. mas bom, por hora estou aqui. vocês sabiam que cada brasileiro pode ter uma carteira de identidade com um número diferente para cada estado do país?! Finalmente entendi porque precisamos do CPF, que não muda nunca. haverá uma ida forçada a pel para refazer os docs. queria ir no findi antes do feriado, mas com o advento do feriado em repartição pública, fica difícil justifica faltar numa semana quando a outra oferece a oportunidade desejada. vou perder o evento do ano. sorry. I´m really sorry. são essas e muitas que me fazem ver o quanto ainda não estou perto. na verdade, nunca me senti tão longe. ando longe de tudo. longe de todos. e longe de mim mesma. mas as aulas de espanhol começam logo, junho está logo aí, e oportunidades vão - cedo ou tarde - aparecer. I do believe. I do persist. essa semana descobri que sou normal. e entendi que algumas das pessoas que realmente importam entendem. me sinto menos assustada, mas ainda nem um pouco mais feliz. entender não faz parte dos requirements, thank god. insistir faz. so here I am. back to the net.