31 October 2006

restart

segunda-feira

ele em seu mau-humor habitual, eu de bem com a vida.
nenhum dos dois com motivos para tanto.
e assim mais uma semana se inicia.
para mim, a melhor parte é que a semana anterior ficou para trás.
e o que virá, dirá.


terça-feira

uma gripe me abate, como só as gripes conseguem me abater
acompanho a evolução feliz alheia através dos blogs
fico feliz por eles e ao mesmo tempo triste: será que um dia vai acontecer comigo?
tem sido difícil aceitar que meu caminho é outro
e, sim, meu caminho é outro
enquanto uns se estabelecem, me vejo outra vez instável
emprego, casa, rotina em mudança outra vez
durmo stressada sonhando com um abraço
para no outro dia encarar a vida com meu batom e sorriso
e toda alegria que eu puder achar
porque não posso reclamar
tenho a vida que escolhi


adendo de terça a noite
eu sempre digo que a gente faz as escolhas e paga os preços
mas com licença que os side effects as vezes sao demais
tem horas que eu nao acredito
nao, a vida que eu escolhi nao era bem assim...

28 October 2006

os brincos e os desejos

saiu sem brincos! e sem brincos se sentia nua. o que, curiosamente, descrevia como vinha se sentindo naquela semana: exposta. por si própria, assim como no caso dos brincos. mas ainda assim, sorrir enquanto se sentia nua era sempre um desafio.


havia sido a semana mais intensa do último ano. sem dúvida! em todos os sentidos haviam novidades. e com elas, possibilidades que por hora não sabia se devia comemorar. a semana havia a levado a beira do abismo entre os sonhos e a realidade. e nada parecia mais desconcertante do que não saber se devia se permitir sonhar.


caminhou quadras de noite. e as mesmas quadras na manhã seguinte. meio vagante, sabendo onde ir, sabendo que o destino não era o desejado. ah! os desejos! carregar tantos desejos era exaustivo. desejos que iam transbordando e desaparecendo na realidade. sumindo, crescendo, tomando conta. como um ponto colorido na foto preto e branca.

23 October 2006

disco quebrado

eu me lembro de tocar o cd sem parar num carnaval há mais de dez anos atrás. ganhar você e não querer. ainda lembro da sensação, da temperatura, dos pensamentos. é porque eu não quero que nada aconteça. e anos depois de novo. deve ser porque eu não ando bem da cabeça. e outra vez. ou eu já cansei de acreditar. e desde então sempre. o meu medo é uma coisa assim. e eu mudei. corre por trás entra vai e volta sem sair. me mudei. não tente me fazer feliz. e continuo a ouvir. eu sei que o amor é bom demais. será que um dia paro? mas dói demais. ou não? sentir.

21 October 2006

off the record

sentada no banco no meio estação, celular na mão
pensamento cruzando a mil os cantos da cabeca, coração disparado
pensou por alguns momentos, desatinada
tentou ligar
não conseguiu
levantou decidida a seguir o coração
disposta a chutar o balde
:
:
:
chegou no bar e pediu uma bebida forte
era preciso beber para falar
e perder a consciência
o medo
:
:
:
despejou tudo
ouviu um não redondo e claro como resposta
uma resposta sem pergunta
:

ficou ali
em pé
novamente desatinada
e foi levada para dentro por um estranho
doce estranho
e ali ficou
anônima
atônita
:
:
:
acordou lamentando ter de falar
beber
desatinar
desejando um mundo mais simples
de gente sincera
disposta a viver a vida de frente
:
:
há os que dizem que é o fim
outros que é o começo
para ela era mais uma luta desnecessária
um ato egoísta de alguém cansado

20 October 2006

Plain for all to see

So, please now
Talk to me
Tell me; things I could find helpful
For how can I stop now...
Is there nothing I can do
I have lost my way
I've been losing you

19 October 2006

a zero

ele não ganhou. eu não sei onde perdi.

12 October 2006

to forget list

me concentro para me distrair. e assim esqueço o que não entendo. esqueço que não entendo. e entro num mundo com dimensões inexistentes. dimensões de mim mesma. e fico assim, olhando o mundo exterior, enquanto imersa nele, quase como se não fizesse parte. e a semana passa por mim enquanto estou concentrada em distrações. um dia e outro. vivendo a vida como um afazer. sentindo que não há nada a fazer. esperando. tentando esquecer de sentir.

09 October 2006

...

confirmando meus medos:
era bom demais para ser verdade

06 October 2006

friday

e assim descobriu-se que o cansaço era só pressão. e a pressão aumentou muito nos últimos dias. e eu descobri que último e ultimate são (teoricamente) a mesma palavra. mas as conotações não permites um paralelo perfeito entre mundos. assim como as horas. que diminuem aqui num 29 e aumentam aí num 5. home alone num suspiro único aliviado. e andarei pela casa no meu underwear, e dançarei no meio da sala cantando alto. por dois dias apenas. livre. sem perguntas do que e muito menos os infinitos porques. na maioria sabidos, mas silenciosos - como devem ser. das privacidades que se perde - além das roupas, dos espaços, e das músicas - quando se ganha companhia. mas é preciso mais do que tolerância, ainda que por hora baste. insuficiente quando se quer tão mais. e as expectativas crescem. mas paralizo. teoricamente esperando o momento certo. secretamente por medo de descobrir a verdade. porque parece ser bom demais.

05 October 2006

voce...

tem fome de que?
tem sede de que?