eu não gosto quando chego em casa e não me sinto em casa. é algo que, simples assim, me desestrutura. sem precisar mais nada. ainda que este não seja o caso.
algumas esperas são gostosas, alegria antecipada. outras são martírios, quando cada minuto passa lentamente e o ansiado fim não parece chegar nunca. outras são momentos de uma transformação, esperada mas também saboreada. e ainda há aquelas esperas que são infinitas por natureza, que sem sabermos como substituem o próprio fim. são esperas que encapsulam a si mesmas. e ali ficamos, esperando, mas sem saber o quê!
o outono chegou tão atrasado que atropelou o inverno. que por sua vez resolveu aproveitar a folga e só dar uma passada rápida por aqui. e nós, já perdidos entre esse inverno-verão entre mundos, decididamente não sabemos mais em que estação estamos. esperando o outono, desejando o verao, aproveitando o inverno?
esperamos no tempo. mas também esperamos os espaços. porque somente juntos podem formar os momentos. esperamos os momentos, mas eles não vem em espaços e tempos.
quantos momentos são só esperas? quantas esperas são momentos? importantes, frios, bons, molhados, ansiados e marcantes?!
espero pela próxima frase. mas o momento já foi. esperando, o perdi! mas eu ainda estou aqui. no tempo seguinte do mesmo espaço. e, é verdade, desejando estar em outro momento.